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Cuiabá MT, 09/02/2010
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De Última! Só lendo para acreditar

SABOR DA TERRA

Ranking da Cachaça
07/07/2007 - Willian Vieira - Revista Playboy - abril de 2007

Os maiores especialistas do Brasil elegem as 20 melhores aguardentes

Cada vez mais, o Brasil deixa de ser o único país do mundo a se envergonhar do seu destilado. A boa e velha cachaça há muito deixou de ser uma bebida sem valor. Hoje é apreciada em confrarias, tem admiradores mundo afora e já conta com legislação específica. Fatores que, combinados, impulsionam um mercado promissor, com lucro de até 600 milhões de dólares ao ano.

São mais de 5 mil marcas de cachaça legalizadas no Brasil e uma produção de cerca de 1,4 bilhão de litros ao ano. Nessa conta estão desde cachaças artesanais que levam anos para ficarem prontas e podem custar até 500 reais a garrafa, até pingas industriais produzidas em algumas horas e vendidas a 2 ou 3 reais. Um abismo não só de preço, mas principalmente de qualidade. Dizer qual cachaça tem sabor mais intenso, melhor buquê, melhor aroma e, em especial, qual realmente vale o que se paga por um vinho importado (embora raramente custe tanto) não é tarefa simples. Por isso, reunimos 13 experts no assunto e pedimos que eles votassem nas melhores cachaças do Brasil. Apurada a votação, levamos o químico especialista em destilados Erwin Weimann, autor do livro Cachaça: a Bebida Brasileira, à Universidade da Cachaça, em São Paulo, onde, ao lado do chef Sérgio Arno, dono da casa, ele degustou e comentou cada uma das 20 escolhidas. Confira aqui quais são, segundo os bons entendedores, as melhores aguardentes do país.

20º Lugar: Volúpia

Procedência: Alagoa Grande, PB
Graduação alcoólica: 42%
Envelhecimento: descansada um ano em freijó

Bebida de sabor forte e bastante pronunciado, a paraibana Volúpia é uma das duas representantes das cachaças nordestinas na votação dos especialistas. É descansada em freijó, uma madeira típica do Nordeste, raramente usada por outros produtores e que pouco interfere na bebida, o que explica a cor branca dessa aguardente.

19º Lugar: GRM

Procedência: Araguari, MG
Graduação alcoólica: 41%
Envelhecimento: dois anos em carvalho, umburana e jequitibá-rosa

Cachaça envelhecida de excelente equilíbrio e harmonia. A combinação de três madeiras suaviza a força da umburana e proporciona um sabor palatável, puxado para o amargo.

18º Lugar: Seleta

Procedência: Salinas, MG
Graduação alcoólica: 42%
Envelhecimento: dois anos em umburana

Envelhecida em umburana, a Seleta é um bom exemplo da presença dessa madeira, que empresta um gosto acre, forte e persistente por muito tempo. Recomendada aos que gostam de sabores intensos.

17º Lugar: Abaíra

Procedência:Chapada Diamantina, BA
Graduação alcoólica: 42%
Envelhecimento: três anos em carvalho

Límpida e brilhante, com aroma suave. Nela prevalece o carvalho, que virou um símbolo de qualidade entre destilados, por causa dos whiskies e cognacs.

16º Lugar: Lua Cheia

Procedência: Salinas, MG
Graduação alcoólica: 45%
Envelhecimento: entre dois e três anos em bálsamo

Das mais típicas de Salinas. O bálsamo confere a ela uma cor dourada e cintilante, além de trazer um sabor amadeirado e levemente apimentado.

15º Lugar: Mato Dentro

Procedência: São Luiz do Paraitinga, SP
Graduação alcoólica: 41%
Envelhecimento: descansada oito meses em amendoim

Na variação Prata, a escolhida pelos votantes, ela é envelhecida em tonéis de amendoim, uma madeira neutra, que interfere pouco na aguardente, e dá coloração límpida. Tem sabor e aroma delicados, próximos da cana. Quase com ¨cheiro de roça¨.

14º Lugar: Corisco

Procedência: Parati, RJ
Graduação alcoólica: 45%
Envelhecimento: dois anos em carvalho

¨É uma cachaça jovem, que ainda precisa envelhecer¨, afirmam nossos conhecedores. A combinação de muito álcool e pouco envelhecimento, característica das cachaças de Parati, resulta numa bebida forte e picante. Boa representante das pingas da região.

13º Lugar: Sapucaia Velha

Procedência: Pindamonhangaba, SP
Graduação alcoólica: 40,5%
Envelhecimento: dez anos em carvalho

É do envelhecimento no carvalho que vem o sabor e o buquê acentuados. Criada em 1930, tem fama de ser produzida com extremo cuidado.

12º Lugar: Indaiazinha

Procedência: Salinas, MG
Graduação alcoólica: 48%
Envelhecimento: oito anos em bálsamo

De cor dourada, passa por longo envelhecimento no bálsamo, o que dá a ela um sabor ligeiramente semelhante ao de amêndoa. ¨Para se beber de joelhos¨, diz Weimann.

11º Lugar: Maria Izabel

Procedência: Parati, RJ
Graduação alcoólica: 44% (o rótulo indica, erroneamente, 42%)
Envelhecimento: entre um e quatro anos em carvalho

Suave, agradável, de baixa acidez. Aroma e sabor lembram a cana. Se destaca entre as cachaças de Parati pelo esmero da produtora e pelo uso do carvalho.

10º Lugar: Piragibana

Procedência: Salinas, MG
Graduação alcoólica: 47%
Envelhecimento: 22 anos em bálsamo e carvalho

A Piragibana é harmônica, com sabor e aroma persistentes, ainda que delicados - resultado do longuíssimo envelhecimento em bálsamo e carvalho. Caso típico de influência da combinação de madeiras, aqui escolhidas por Juventino Miranda, o produtor.

9º Lugar: Magnífica

Procedência: Miguel Pereira, RJ
Graduação alcoólica: 45%
Envelhecimento: três anos em carvalho

Uma cachaça equilibrada. Apesar dos 45% de graduação alcoólica, a Magnífica é uma bebida suave, que desce fácil e apresenta buquê simples de cana jovem. Sua cor límpida é mais um destaque.

8º Lugar: Armazém Vieira

Procedência: Florianópolis, SC
Graduação alcoólica: 44%
Envelhecimento: quatro anos em ariribá

O ariribá, madeira do litoral catarinense pouco usada no armazenamento de cachaças, tem interferência mínima na bebida e permite que ela envelheça sem afetar o gosto da cana. Desce macia, segundo os especialistas, pois o frescor da cana equilibra bem com a madeira.

7º Lugar: Casa Bucco

Procedência: Passo Velho, RS
Graduação alcoólica: 40%
Envelhecimento: dois anos em bálsamo e carvalho

Seu aroma e o sabor de carvalho são persistentes e lembram um bom brandy. É ácida e um pouco forte, sabores típicos de um terroir com pH elevado. Para quem gosta de carvalho e de tudo o que a madeira empresta à bebida.

6º Lugar: Boazinha

Procedência: Salinas, MG
Graduação alcoólica: 42%
Envelhecimento: dois anos em bálsamo

Cor brilhante e viscosidade perfeita, com forte presença do bálsamo no aroma e no sabor, que persistem longamente. A Boazinha é uma clássica representante de Salinas, por causa da influência da madeira: cor bem amarelada e sabor marcante.

5º Lugar: Claudionor

Procedência: Januária, MG
Graduação alcoólica: 48%
Envelhecimento: entre um e meio e dois anos em carvalho

A cidade de Januária já foi sinônimo da bebida, mas perdeu a vez para Salinas como região emblemática da cachaça mineira. A Claudionor, porém, é ótima opção para quem gosta de cachaça à moda antiga, forte, com muito gosto de cana. Para adequar-se à nova legislação, teve de reduzir seus 54% de graduação alcoólica para ¨apenas¨ 48%. Transparente, apesar de bem envelhecida, Claudionor tem buquê neutro, de cana madura e bem descansada, cujo gosto persiste na boca. É uma cachaça com corpo, equilibrada, perfeita para quem foge das madeiras.

4º Lugar: Germana

Procedência: Nova União, MG
Graduação alcoólica: 40%
Envelhecimento: dois anos em carvalho e bálsamo

Facilmente reconhecida numa prateleira devido à embalagem, a garrafa da Germana é toda revestida de folhas secas de bananeira por mulheres artesãs do Engenho de Nova União. O objetivo é proteger a bebida da luz e do calor e assim manter suas características. Antes de ser engarrafada, a Germana envelhece dois anos em tonéis de carvalho e bálsamo. O resultado é uma cachaça suave, com sabor sutil, que pode agradar também ao público leigo.

3º Lugar: Canarinha

Procedência: Salinas, MG
Graduação alcoólica: 44%
Envelhecimento: três anos em bálsamo

A procedência e o sobrenome do produtor são belas credenciais. Produzida em Salinas, a Canarinha é feita por Noé Santiago, sobrinho de Anísio Santiago, criador da famosa cachaça Havana (veja abaixo). Antes de ser embalada nas tradicionais garrafas de cerveja, ela é envelhecida por três anos em tonéis de bálsamo, o que lhe confere uma cor suave, amarelinha, e um sabor levemente apimentado, típico das aguardentes de Salinas. Para Weimann, a cor dourada como um champagne, o sabor frutado e o buquê de flores do campo e capim fazem a diferença. ¨É uma cachaça das mais puras, equilibrada, persistente e excelente¨, garante Weimann.

2º Lugar: Anísio Santiago

Procedência: Salinas, MG
Graduação alcoólica: 44,8%
Envelhecimento: entre seis e oito anos em carvalho e bálsamo

Anísio Santiago é mais que uma cachaça - é um mito. Forte, com cheiro de madeira seca, um leve amargor que permanece na boca, sabor e aroma persistentes. ¨O segredo de Anísio é a combinação de madeiras diversas. Não é perfeita, é mais uma boa cachaça, um ícone a ser reverenciado¨, diz Weimann. E que se tornou mitológica devido a uma questão judicial: a Havana perdeu o nome e foi rebatizada como Anísio Santiago. Hoje, uma garrafa antiga de Havana chega a custar mais de 20 mil reais. ¨É o marketing ´cubano´: ´a gente faz por gosto, dane-se o mercado, quem quiser que corra atrás´. Ainda que haja uma dúzia de cachaças tão boas quanto ela por 10% do preço¨, diz o jornalista Ronaldo Ribeiro, autor de várias reportagens sobre a Havana. O preço de uma Anísio Santiago varia bastante, podendo custar entre 200 e 300 reais em São Paulo. ¨A expectativa é tão grande que, ao provar, no primeiro gole você já está fascinado¨, garante Ribeiro. Tal é o sabor de uma boa história.

1º Lugar: Vale Verde

Procedência: Betim, MG
Graduação alcoólica: 40%
Envelhecimento: três anos em carvalho

A campeã é uma cachaça correta em todos os sentidos. É produzida na fazenda Vale Verde que, além de engenho de cachaça, é também um parque ecológico, com visitas guiadas onde se pode conhecer os ¨segredos¨ da produção. A aguardente é equilibrada, encorpada e madura. Segundo os produtores, suas técnicas de fermentação e destilação foram baseadas naquelas praticadas na Europa para fabricação de whiskies. Isso proporciona um produto final equilibrado, estável, pronto. Os três anos em tonéis de carvalho explicam a cor dourada e o buquê marcante de madeira. É justamente esse envelhecimento que garante o equilíbrio da bebida, que desce redondinha, sem aspereza. A cana colhida no ponto certo, fruto dos solos calcários da região de Betim, a fermentação nos antigos alambiques de cobre e a criteriosa escolha dos barris de carvalho garantem a cor brilhante e o sabor adocicado persistente. Além disso, a Vale Verde tem a melhor relação custo-benefício: uma garrafa custa, em média, 30 reais.

OS DEZ MANDAMENTOS*

1º MANDAMENTO - ANALISARÁS BEM O RÓTULO

Verifique o ano, a procedência, a cor, o lacre
e a graduação alcoólica. Garrafa deve ser sempre transparente, pois a cor ajuda a identificar, entre outras coisas, as impurezas.

2º MANDAMENTO - NÃO TERÁS PRECONCEITO

Se de qualidade garantida, a cachaça não
tem nada de ¨marvada¨. Ter preconceito é
totalmente infundado.

3º MANDAMENTO - BEBERÁS SEMPRE EM TEMPERATURA AMBIENTE

A temperatura ambiente é ideal, pois mantém
o aroma e o sabor intocados.

4º MANDAMENTO - DARÁS A CADA CACHAÇA SEU FIM MERECIDO

Para a mundialmente conhecida caipirinha,
deve-se usar uma cachaça com teor alcoólico
alto, pois o gelo dilui a bebida. E sempre branca. O sabor envelhecido não combina com a caipirinha.

O mesmo tipo de cachaça, branca e forte, deve
ser usado para culinária, pois o alto teor alcoólico flamba melhor. E, para beber purinha, vale a melhor cachaça, claro, envelhecida em tonéis de madeira e de boa procedência.

5º MANDAMENTO - ESTOCARÁS SEMPRE

Monte a sua adega. Mantenha as garrafas num
ambiente escuro, fresco e longe da mesa, para
evitar a tentação.

6º MANDAMENTO - CONHECERÁS PARA DEGUSTAR

Um pouco de conhecimento sobre o mercado e a
história da cachaça ajuda a não levar gato por
lebre. Salinas, por exemplo,é ícone da cachaça
nacional, mas algumas marcas desconhecidas
embarcam na fama e vendem pinga barata com
a rubrica da cidade. Atenção às cachaças indicadas
por este ranking. Livros, como o de Erwin Weimann,
também ajudam.

7º MANDAMENTO - NUNCA BEBERÁS CACHAÇA SOZINHO

Cachaça é para bebericar com os amigos,
é algo social. Quanto mais amigos se tem,
mais cachaça na cabeça...

8º MANDAMENTO - COMBINARÁS A BOA CACHAÇA COM A BOA COMIDA

Tudo que é gorduroso vai bem com cachaça.
Mas tem de ser branca, nunca envelhecida,
porque o sabor da madeira compete com o do
alimento. Cachaça envelhecida, só após as
refeições, de preferência com um bom charuto.

9º MANDAMENTO - CONQUISTARÁS AMIGOS E MULHERES

Para impressionar, diga que cachaça envelhecida
guardada no freezer ganha a viscosidade de um
licor, e substitui até um bom brandy.

10º MANDAMENTO - DEGUSTARÁS, MAS NÃO SE TORNARÁS UM CACHACEIRO

As provas de cada cachaça devem ser pequenas.
Mesmo. Mas não se cospe depois- seria pedir
demais. Tenha sempre água, pão ou bolinho para
consumir entre as provas, para limpar a boca

...

*Sérgio Arno, Chef e Dono da Universidade da cachaça

Os jurados

MARCELO CÂMARA
Degustador profissional e autor do livro Cachaça - Prazer Brasileiro

JOÃO BOSCO FARIA
Doutor e pesquisador em química de destilados pela Unesp e Unicamp

ERWIN WEIMANN
Químico e mestre-cervejeiro, autor do livro Cachaça: a Bebida Brasileira

MARIA JOSÉ MIRANDA
Diretora da Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe), que coordena o Programa Brasileiro de Desenvolvimento da Aguardente de Cana, Cachaça ou Caninha

PAULO MAGOULAS
Jornalista, publicitário e presidente da Academia Brasileira da Cachaça

CLÁUDIA FERNANDES
Cachaciére e presidente da Confraria do Copo Furado

MAURÍCIO MAIA
Presta assessoria e consultoria especializada para cachaçarias

RONALDO RIBEIRO
Repórter da revista National Geographic, autor de reportagens sobre Anísio Santiago

CELSO NOGUEIRA
Especialista em destilados e palestrante sobre harmonização de cachaça e charutos

MARCO ANTÔNIO MARIANO
Comanda a cachaçaria paulistana Consulado da Cachaça

SÉRGIO ARNO
Dono da Universidade da Cachaça (SP) e colecionador com mais de 1.600 garrafas

MOACYR LUZ
Músico apaixonado por cachaça

MARION BRASIL
Cachaciére carioca responsável pela carta de diversas cachaçarias do Rio de Janeiro

  

Comentários dos Leitores
Os textos dos leitores são apresentados na ordem decrescente de data. As opiniões aqui reproduzidas não expressam necessariamente a opinião do site, sendo de responsabilidade de seus autores.

Comentário de Bid lima (bidlima@hotmail.com)
Em 17/09/2008, 23h24
Adorei!
Gostei muito do que li.Sou apaixonada por uma boa cachaça, e com essas informações fica mais fácil escolher o que vou saborear.
No Piauí,onde estou morando, tem uma cachaça, chamada Mangueira q é o maior sucesso e orgulho do Estado.Será que ela tb participou desse teste?
Valeu!
Bjsdabid!

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