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Cuiabá MT, 25/10/2014
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Críticas Construtivas Se todo governante quer, por quê não?!!!

RELEITURA

Os Paiaguás - Índios Anfíbios do Rio Paraguai - I
16/07/2001 - Carlos Francisco Moura*

Os índios canoeiros Paiaguás foram, segundo as crônicas, os inimigos mais terríveis com que se defrontaram as monções cuiabanas no século XVIII.

A Notícia 8ª Prática adverte os viajantes das monções:

“Saído do Paraguai cuidado e mais cuidado no Gentio Paiaguá, que émuito destro e bom pirata: acomete sem receio, esconde-se nos sangradouros, baías e voltas do rio e tanto que, se avista qualquer tropa, a investe de repente, mata a gente, leva as canoas e não há monção em que não tenham feito alguma guerra”.

Noutra passagem, volta a advertir sobre o perigo dos Paiaguás.

“Abaixo da Prensa principiam os Pantanais (...) e já aqui se teme o gentio Guaicuru, ou Cavaleiro, e muito mais o Paiaguá: pobre de vós se encontrares(sic) um, ou outro: trazei limpas e prontas sempre as armas e com cartuchos feitos, como usa a infantaria nas campanhas; porque as
investidas deste gentio são de súbito, e repentinas”.

O primeiro governador de Mato Grosso, Antonio Rolim de Moura, enumerando as três nações que atacavam os que viajavam para Mato Grosso — Caiapós, Guaicurus e Paiaguás, conclui:

“A terceira e última é a do paiaguá, e de quem temos recebido mais e maiores danos; servem-se de arco e flecha e também de lanças pequenas, compostas de ferro, muito agudas, com as quais ofendem de perto e também de arremesso”.

Espreitavam as monções, escondidos nos sangradouros e ribeirões, e quando as achavam descuidadas, atacavam de repente com grande gritaria, e todo seu empenho era molhar as armas dos europeus, para evitar os tiros.

A irrupção dos Paiaguás na crônica mato-grossense foi contundente — mataram 600 pessoas e apresaram 20 canoas de uma monção que demandava Cuiabá em 1725.

Causou esse ataque grande consternação em Cuiabá, pela perda de vidas e prejuízos. Faltaram suprimentos em Cuiabá, houve fome e um frasco de sal chegou a ser vendido por meia libra de ouro. Diz o cronista Barbosa de Sá que até então não conheciam os povoadores esse gentio.

“Não se sabia que gentio era, adonde habitava e que nome tinha por não ser o nome de Payagoa até então conhecido; inquirindo-se dos índios domésticos naturais das vargens cientes das nações circunvizinhas que gente seria aquela, declararam — que eram Payagoas gentio de corso que não tinham morada certa, viviam sobre as águas sustentando-se de montaria pelo Paraguai e pantanais”.

Informaram ainda que em outros tempos tinham sido aldeados pelos jesuítas do Paraguai, mas rebelaram-se contra eles; e que, enquanto os Guatós tiveram forças, não fizeram os Paiaguás aventuras, mas sim depois que os brancos destruíram a força daqueles seus inimigos. “Estas foram as notícias que se acharam dos nacionais a primeira vez que se ouviu o nome de Payagoas”, conclui Barbosa de Sá.

Entretanto essas informações colhidas pelo cronista são incompletas. Desde o século XVI os espanhóis conheciam o ímpeto paiaguá na defesa dos seus pagos.

Félix de Azara diz que os Paiaguás foram os mais contínuos e prejudiciais inimigos da Província do Paraguai — suas tropelias não cabiam em resmas de papel.

“No ha tenido esta Provincia enemigos más continuos y prejudiciales, cuyas fechorias no podrian contarse en resmas de papel. Jamás han dejado de hacer cuanto mal han podido á todos los hombres sin distinción de castas y cuando han hecho paz con algunos es para destruir á otros".

Em outra obra ele reitera esses conceitos sobre os Paiaguás, e conclui:

“En fin, desde la conquista estos indios han sido los enemigos más constantes, astutos e crueles de los espafioles, de los portugueses de Cuyabá y de todos los otros índios, sin excepción (...) Sus proezas están consignadas en un gran número de piezas que se hallan depositadas eu los archivos de la Asunción. Como no es ei caso de dar aqui el extracto, basta saber que han matado a muchos milíares de espafloles y que con frecuencia ba faltado poco para que exterminaran a todos los deI Paraguay”.

O Visconde de Beaurepaire Rohan, nos seus Anais de Mato Grosso relaciona dezoito ataques dos Paiaguás às monções e colonos de Cuiabá — 1725, 1726, 1729, 1730, 1731, 1733, 1736, 1740, 1743, 1744 (dois), 1752, 1753 (dois), 1770, 1771, 1775 e 1786.

Além do primeiro ataque às monções, já referido, outra grand

  

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