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A fruta mais saborosa -- e mais cara -- do mundo
02/03/2004 - Revista AgroAmazônia

Pouco conhecido no Brasil, o mangostão é comparado pelos asiáticos ao néctar dos deuses. Dizem tratar-se da fruta mais saborosa do mundo.

Tirando o exagero, quem conhece realmente afirma que a fruta é deliciosa, com a polpa branca e perfumada que envolve as sementes e quase desmancha na boca.

O gosto começa um pouco amargo e termina doce. A dica é consumir a fruta ao natural e não em suco ou semelhante, para garantir o sabor.

Mas por que então uma fruta com todas estas qualidades não é conhecida no Brasil? Os fatores variam em função do seu cultivo, o solo precisa ser muito irrigado e o crescimento é muito lento -- o que torna a fruta um investimento a longo prazo.

O mangostão, chegou à Amazônia em 1942. Mas, apesar de bastante saborosa e alcançar um preço de US$ 3 por fruto no mercado externo, existe uma série de obstáculos para a sua expansão.

Um deles é que a produção de frutos só ocorre depois de sete anos de cultivo.

O maior produtor brasileiro, Yuji Tanaka, acreditou no mangostão e plantou 3 mil árvores desde 1983. As mudas ele obteve da Embrapa Amazônia Oriental e hoje 1.800 árvores já estão em fase de produção. Ano passado ele colheu 80 toneladas de frutos e este ano espera colher em torno de 100 toneladas.

A cada ano, as árvores aumentam a produção e têm uma vida útil de cerca de 150 anos. A partir dos 35 anos, cada árvore produz cerca de 4 toneladas de frutos. Hoje as árvores de Tanaka estão produzindo uma média de 56 quilos.

O produtor, que nasceu no Japão, sempre ouviu falar maravilhas dessa fruta, que é originária do Sudeste asiático, mas se adaptou muito bem aos solos de algumas regiões do Pará, Bahia e São Paulo.

A árvore, que atinge uma altura máxima de dez metros e tem uma copa na forma cônica, necessita de um regime de chuvas bem distribuído.

Apesar da Amazônia ser uma região úmida, com um alto índice pluviométrico, Tanaka investiu US$ 4 mil num sistema de irrigação, já que no período de julho a novembro a planta sente bastante a estiagem.

No período da colheita, a Fazenda Mangosteen mobiliza 80 mulheres para retirada manual dos frutos, que no mercado nacional são comercializados de forma in natura por R$ 15,00 a caixa com nove unidades.

Cada fruta tem 100 gramas de polpa e deve ser consumida até oito dias após a sua colheita. O Pará, que conta com cerca de 20 produtores na região nordeste, comercializa toda a sua produção com distribuidores de São Paulo.

O fruto, que tem a forma esférica, do tamanho de uma laranja, na cor vermelho-arroxeado, suporta bem longas e demoradas viagens. A polpa é mole, suculenta, doce e tem um bom aroma.

  

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